Blockchain para além do setor financeiro está entre as prioridades dos governos asiáticos

A tecnologia blockchain é uma das inovações com grande potencial disruptivo e sua aplicabilidade vai muito além das criptomoedas. Entenda como as autoridades chinesas e do sudeste asiático estão tratando essa tecnologia.
Blockchain para além do setor financeiro está entre as prioridades dos governos asiáticos
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Equipe Propague
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Blockchain é uma tecnologia que permite rastrear o envio e recebimento de alguns tipos de informação pela internet, sendo códigos gerados online que carregam informações conectadas. Inicialmente, essa tecnologia surgiu associada às criptomoedas em 2008, mas desde então se multiplicaram os potenciais de aplicabilidade.

Como já é amplamente reconhecido, emergiram na Ásia importantes hubs financeiros ligados aos criptoativos, tecnologia e infraestrutura financeira. No entanto, cada um possui sua estratégia para aproveitar tais novos potenciais de aplicabilidade pra além do universo cripto.

Isso porque o design de arquitetura descentralizada do blockchain está tendo sua aplicabilidade estudada e testada em áreas como saúde, acesso a serviços financeiros e não financeiros, identidade digital e garantia de propriedade de dados. Cabe identificar quais áreas têm se destacado nesses hubs asiáticos.

Governo chinês aposta no Blockchain para melhorar eficiência do governo

Entre os países asiáticos, a China, talvez, seja o caso mais particular. Afinal, nos últimos anos, ganhou destaque pelas iniciativas pouco amistosas aos criptoativos. Contudo, as autoridades chinesas estão explorando aplicações alternativas para a tecnologia blockchain.

O governo chinês, desde o 13º plano quinquenal, vem aplicando a tecnologia blockchain para melhorar a eficiência do serviço público em setores como coleta e restituição de impostos, emissão de documentos fiscais eletrônicos e registro de dados de saúde.

O Banco do Povo da China, por exemplo, apoiou uma plataforma de financiamento comercial baseada em blockchain. A China também tem aplicado a tecnologia no “Food Supply Chain Traceability System”, utilizando o blockchain para rastrear a segurança dos alimentos desde o processo de produção até a mão do consumidor.

Crescem esforços do sudeste asiático para o uso de Blockchain

No sudeste asiático, a tecnologia blockchain também tem sido percebida de forma cada vez mais importante, com a maioria dos países incorporando planos de desenvolvimento da tecnologia nas suas estratégias nacionais de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Podem ser destacadas iniciativas em Singapura, Tailândia e Malásia.

Atualmente, Singapura é o país líder em desenvolvimento tecnológico na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e está trabalhando para impulsionar o ecossistema blockchain. As agências governamentais, por exemplo, investiram 12 milhões de SGD no programa de pesquisa para tecnologia blockchain em 2020.

O programa, chamado Singapore Blockchain Innovation Program (SBIP), é uma colaboração entre a Enterprise Singapore, a InfoComm Media Development authority e a National Research Foundation Singapore e contou com o apoio da Autoridade Monetária de Singapura (MAS). Na lógica de expandir as aplicações de blockchain para além do universo cripto, o programa está voltado para áreas de comércio, logística e cadeias de suprimentos.

Na Tailândia a tendência é similar e o blockchain foi incluído no top-5 de prioridades estratégicas do Plano Diretor do ITC 2021-2025. A ideia é aplicar a tecnologia para atualizar as atribuições governamentais em direção a digitalização e integração entre departamentos para fornecer serviços para a população.

Vale destacar, ainda, que o setor privado na Tailândia também tem desempenhado um papel fundamental. As empresas e startups estão trabalhando em colaboração com órgãos públicos e compondo diversos comitês e grupos de trabalho relacionados a blockchain e TIC.

Já a Malásia iniciou seus esforços para aplicar a tecnologia blockchain em 2015, com a Securities Commission (SC) e o Bank Negara Malaysia (BNM) assumindo a iniciativa de desenvolver o uso de blockchain no sistema financeiro. Em março de 2018, no entanto, o país aderiu à lógica de ampliar o escopo de atuação do Blockchain para além do setor financeiro.

Para isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MOSTI) do país  deu um novo impulso com uma força-tarefa especial para estudar a implementação em diversas áreas, mas maiores especificidades ainda precisam de tempo para serem definidas.

 

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