Finanças verdes: investimento global salta, mas ainda há lacuna de capital para a transição

O ano de 2022 deve fechar com US$ 1 trilhão investidos em finanças verdes, o dobro de 2021. Contudo é necessário chegar a US$ 5 trilhões ao ano até 2025 para reduzir a lacuna de capital que dificulta a transição verde. Veja iniciativas na Europa e África para avançar no tema.
Finanças verdes: investimento global salta, mas ainda há lacuna de capital para a transição. Europa e África veem oportunidades no mercado
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Equipe Propague
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Em 2022, pela primeira vez em um único ano e antes mesmo deste acabar, o montante investido globalmente em títulos verdes está próximo de alcançar US$ 1 trilhão.  Essa pesquisa recente sobre o crescimento do mercado feita pela da entidade britânica Climate Bonds Initiative (CBI) mostrou, portanto, um resultado expressivo, visto que, em 2020 e 2021, o valor aplicado em investimentos verdes em todo o mundo totalizou, respectivamente, US$ 297 bilhões e US$ 500 bilhões.

No entanto, apesar do resultado ser positivo e do importante avanço para o financiamento da transição para uma economia de baixo carbono, ele ainda está longe do ideal em relação à meta de capital necessária para reduzir os impactos da crise climática   global. Segundo Sean Kidney, CEO da CBI, seria necessário formuladores de políticas e instituições financeiras mirarem mais alto, tendo como meta atingir US$ 5 trilhões ao ano em investimentos verdes até 2025 se desejam reduzir a lacuna de capital que ainda permanece.

Caminhando nessa direção, por exemplo, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) já vêm promovendo a emissão de títulos verdes e diversos países estão se movimentando na direção de aproveitar as oportunidades de investimento que os instrumentos financeiros verdes representam.  É o caso de diversos países asiáticos, que estão despontado nesse mercado. Taiwan, Hong Kong, China e Bangladesh, por exemplo, lançaram iniciativas no âmbito das finanças verdes recentemente.

A Ásia, no entanto, não é a única que tem iniciativas que têm chamado atenção em termos de amadurecimento do mercado de finanças verdes. A África também aponta tendências relacionadas ao desenvolvimento da estrutura de títulos verdes, enquanto a Europa busca se tornar o principal centro das finanças verdes do planeta.

África pode avançar em títulos verdes

No caso dos países africanos, dada a volatilidade global que tem dificultado o acesso dos mercados emergentes regionais aos mercados internacionais, uma das estratégias de enfrentamento que tem sido apontada é a de aproveitar para investir em programas de incentivo para emissão de títulos verdes, sociais e sustentáveis (GSS na sigla em inglês)

Esta foi uma das principais conclusões de um workshop recentemente promovido pelo OMFIF, que contou com a participação de mais de 70 representantes de ministérios das finanças africanos, gabinetes de gestão da dívida e bancos centrais.

O workshop foi organizado por meio de uma parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento e o foco da discussão foi, em especial, na experiência de vários mutuários africanos que emitiram títulos GSS anteriormente. Estes relataram uma experiência de acesso a esse mercado uniformemente positiva que deveria receber a devida atenção para expansão. Tal avaliação e a decorrente conclusão podem contribuir para redirecionar os países africanos para um foco em fontes de financiamento alternativas, como os títulos verdes.

Ainda assim, foi destacado que o mercado africano de títulos verdes é incipiente, pois a região ainda não responde por mais de 1% da emissão global de títulos verdes, uma percentagem demasiado baixa dada a magnitude da necessidade de financiamento sustentável na região. Tal realidade, no entanto, tem sido compreendida como uma oportunidade de crescimento.

Essa visão foi refletida na posição dos banqueiros presentes no workshop, que se mostraram convencidos de que os países africanos devem abraçar as oportunidades no mercado GSS. Eles pontuaram que os benefícios vão além da questão de impacto ambiental e social, incluindo também a redução dos custos de financiamento, a diversificação da demanda dos investidores e a melhora de governança.

Europa continua com seu plano de ser peça central das finanças verdes

O mercado de finanças verdes também está na mira da União Europeia (UE). O bloco econômico tem uma meta ousada: pretende se tornar a peça central do crescimento verde, impulsionado por um financiamento de 800 bilhões de euros com foco na economia sustentável e digitalização no âmbito do programa Next Generation European Union.

A mensagem deu o tom do discurso de Johannes Hahn, comissário de orçamento europeu, em uma conferência em Singapura organizada pelo OMFIF e pela Comissão Europeia em julho de 2022. Também conhecido como Instrumento de Recuperação da União Europeia, o programa corresponde a um pacote de recuperação econômica do bloco a fim de apoiar os estados membros a se recuperarem da pandemia de Covid-19, em particular aqueles que foram mais atingidos.

O encontro, com bancos, instituições oficiais e gestores de ativos da Ásia, Europa e Estados Unidos, marcou o início de uma turnê asiática de Hahn e outros representantes da UE passando por quatro países. O grupo pretende apresentar a maior oferta de títulos verdes na história do mercado de capitais internacional. Conforme disse, os títulos emitidos até agora já foram vendidos a 1.000 instituições em 70 países.

Tais movimentos mostram, portanto, uma situação ainda incipiente, mas na direção de crescimento em nível global.

 

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