Criptomoedas estavam na mira de varejistas dos EUA para atrair mais clientes. O inverno cripto mudará o cenário?

Veja por que tem crescido a aceitação e o interesse nos pagamentos em moedas digitais nos EUA e como esses agentes do mercado estavam se preparando para adotar a inovação tecnológica antes do mercado sofrer forte queda.
Criptomoedas estavam na mira de varejistas dos EUA para atrair mais clientes. O inverno cripto mudará o cenário?
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Equipe Propague
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A experiência do cliente, o aumento da base de consumidores e, ainda, a expectativa de que a empresa seja percebida como de ponta vinha motivando varejistas dos EUA a adotar pagamentos em criptomoedas. Aliás, o mesmo aconteceu com as administradoras de cartão. Visando atender ao público que deseja ser cliente de empresas de meios de pagamentos que ofereçam moedas digitais em seu portfólio de produtos, os maiores players do setor começaram a correr atrás de tais inovações financeiras.

Esse fenômeno foi identificado em uma recente pesquisa da consultoria Deloitte feita em 2021 e divulgada agora em 2022, que identificou que 75% dos varejistas norte-americanos pretendiam aceitar pagamentos em criptomoedas ou stablecoins nos próximos dois anos. Vale destacar que os EUA se apresentam como um dos principais mercados globais desses ativos digitais e seus movimentos podem influenciar o comportamento internacional.

O relatório “Merchants Getting Ready For Crypto” (Comerciantes se preparando para criptografia, na tradução direta) também apontou que mais de 50% dos grandes comerciantes do país, ou seja, aqueles com receitas superiores a US$ 500 milhões, estavam investindo US$ 1 milhão ou mais na implementação da infraestrutura necessária para aceitar pagamentos em criptomoedas.

Nem mesmo as empresas de pequeno e médio porte estavam deixando de se movimentar. De acordo com a pesquisa, 73% dos varejistas com ganhos entre US$ 10 milhões e R$ 100 milhões estão aportando entre US$ 100 milhões e US$ 1 milhão com o mesmo objetivo.

Expectativas sobre moedas digitais

Segundo a pesquisa, dos varejistas que já trabalham com criptomoedas, 93% disseram haver um impacto positivo. Além disso, eles também afirmaram que os consumidores vinham manifestando um interesse significativo em pagar com criptomoedas, assim como 83% esperam que essa disposição cresça ao longo de 2022.

Tal expectativa era motivada pelo fato de que quase a metade dos comerciantes entrevistados esperavam que a adoção de pagamentos com criptomoedas melhorasse a experiência do cliente. Ademais, praticamente a mesma quantidade acreditava que a adoção da tecnologia aumentará a sua base de consumidores e cerca de 40% acreditavam que a marca seria percebida como de ponta.

Entretanto, eles também apontaram os desafios para a aceitação das criptomoedas para pagamento. O principal deles era a complexidade de integrar as criptomoedas com seus atuais sistemas, bem como a dificuldade de contemplar múltiplas moedas digitais, com 45% sinalizando para a questão. Em seguida, vieram segurança (43%), mudanças na regulação (37%), volatilidade (36%) e indisponibilidade de orçamento (30%).

A Deloitte, nesse sentido, destacou que a educação continuada  pode trazer mais clareza para os órgãos reguladores e supervisores, possibilitando maior adoção em um escopo mais abrangente de produtos e serviços pelo mercado.

A pesquisa resultou de entrevistas com dois mil executivos seniores de empresas de varejo norte-americanas, entre 3 e 16 de dezembro de 2021. Seu cenário otimista, portanto, pode estar influenciado pelo fato de ter sido feita quando os valores das criptomoedas permaneciam em alta.  Assim, uma pergunta que fica em aberto é se, no atual cenário que está sendo chamando de “inverno cripto”, tal movimentação continuará na mesma direção.

O fato da queda no mercado de criptomoedas ser recente, tendo ganhado força principalmente após o crash da Terra USD e do aumento dos juros nos EUA, ambos fenômenos já do segundo trimestre do ano, faz com que ainda não seja possível ter clareza sobre como os planos de adoção de criptomoedas para pagamentos no varejo mudarão.

Cartões a base de criptomoedas também crescem

Ao mesmo tempo em que o varejo dos EUA desperta para a aceitação de criptomoedas para pagamentos, as principais empresas globais de cartão também estão começando a colocar as moedas digitais entre seus produtos não só no país, mas no contexto global.

A Visa é uma delas. De acordo com pesquisa realizada pela administradora de cartões no Brasil no começo de 2022, 28% dos consumidores ouvidos desejam ser clientes de fornecedores de meio de pagamentos que ofereçam criptomoedas em suas carteiras. Além disso, dados da empresa apontam que o volume global de cartões de criptomoedas movimentou aproximadamente US$ 2,5 bilhões no último trimestre de 2021.

Seguindo os mesmos passos está a Mastercard. Em estudo realizado em abril de 2022, a Mastercard revelou que a inserção das criptomoedas já alcançava quase 20% dos consumidores adultos no continente latino-americano. Ao passo que a metade deles fez sua primeira aquisição de criptomoedas no ano que passou. Ainda segundo a pesquisa, outros 22% planejam ingressar no mercado de criptoativos em 2022.

Para quem ainda não conhece, cartões ligados a criptomoedas, mais comuns na modalidade pré-pago, são praticamente iguais aos convencionais. A saber, a diferença é que o usuário carrega um valor na criptomoeda suportada e realiza suas compras abatendo do saldo.

O questionamento feito para o varejo, no entanto, também vale para o avanço no mercado de pagamentos. Criptomoedas encontravam alguma resistência como meio de pagamento, mas ela estava diminuindo, vide atuação de Visa e Mastercard expandindo no setor. A dúvida que fica em aberto é se a mudança na conjuntura do mercado afetará os planos mencionados ao longo dos últimos meses.

 

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