Buy now, pay later: a nova cara do crediário

Buy now, pay later: a nova cara do crediário

Novo meio de pagamento traz o modelo dos carnês para o comércio eletrônico e ganha popularidade em países antes não adeptos às compras a prazo.

Comprar a prazo não é novidade para os brasileiros. Seja por meio do cartão de crédito, dividir o valor sempre foi um motivo a mais para gastar. Agora, o que até então era uma particularidade no varejo doméstico surge como tendência no mercado internacional. Batizado de “buy now, pay later” (compre agora, pague depois, na tradução livre para o português), globalmente, as compras parceladas na internet ganharam um novo aliado, inclusive no Brasil, já que a modalidade é totalmente digital e não é mais preciso um cartão de crédito para parcelar os gastos.

Na verdade, esse meio de pagamento confere uma nova cara ao crediário, dado que traz o modelo dos carnês para o comércio eletrônico. Surge, assim, o crediário digital, configurando-se como mais uma opção de venda para os lojistas, além dos cartões e boletos.

Aliás o buy now, pay later contempla, inclusive, os consumidores desbancarizados, ou seja, aqueles que sequer têm conta em banco, chegando também como solução para quem quer comprar a prazo na lojas on-line e não tem limite disponível no cartão ou não quer consumir o seu limite de crédito.

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Como funciona o buy now, pay later

Diferentemente do que acontece quando se usa o cartão ou se demanda uma linha de crédito em um banco, o buy now, pay later permite que o consumidor pague suas compras na internet por meio de empréstimos intermediados, geralmente, por fintechs – startups financeiras –, que fazem o meio de campo entre a loja on-line e quem está comprando.

Para que isso aconteça, essas startups fazem parceria com os chamados e-commerces, permitindo o financiamento no fechamento do pedido e sem a necessidade de o lojista investir em um sistema de crediário próprio.

Beneficiando-se da Inteligência Artificial, o processo é rápido e simples. No momento de fechar o pedido, basta o cliente selecionar a opção. Daí, por meio de coleta de informações básicas, como, por exemplo, CPF, e-mail e telefone, as informações financeiras do consumidor são conferidas eletronicamente pela fintech. Em seguida, se a operação for aprovada, o cliente escolhe em quantas vezes quer pagar, entre um número pré-estabelecido de parcelas e, instantaneamente e sem burocracia, ele obtém o crédito podendo concluir a compra.

Para viabilizar o crediário, os prestadores de serviços buy now, pay later cobram uma taxa sobre cada transação. No entanto, em contrapartida, os comerciantes se beneficiam, pois passam a atingir uma faixa maior de clientes, além de poderem aumentar a taxa de conversão do carrinho de compras e o volume de vendas.

Além disso, o varejista não corre o risco de não pagamento ou de fraude. Afinal, são os provedores do serviço buy now, pay later que validam a capacidade de o cliente pagar o financiamento.

Já do lado do consumidor, os empréstimos costumam ocorrer sem a cobrança de juros, desde que pagos dentro do prazo. Porém, há operações em que os juros podem ser cobrados antecipadamente e incluído nas parcelas.

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Parcelamento digital avança em outros países

De olho em quem não tem dinheiro disponível no momento da compra ou em quem procura itens mais caros e não pode pagar de uma só vez, principalmente depois da crise econômica provocada pela pandemia de Covid-19 – que tirou o poder de compra de grande parte das pessoas -, começou a crescer, em vários países, o número de provedores do serviço buy now, pay later.

O que mais chama a atenção é que esse crescimento se observa principalmente em mercados desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, que não estavam acostumados com o parcelamento de compras.

Segundo diversos levantamentos divulgados por especialistas do mercado financeiro, os Estados Unidos é o país que lidera o número de startups no segmento. Estima-se que já passem de 23 a quantidade de fintechs que financiam compras on-line.

A propósito, uma pesquisa do Bank of America descobriu que o mercado de soluções buy now, pay later poderia crescer de 10 a 15 vezes até 2025, podendo processar de US$ 650 bilhões a US$ 1 trilhão em transações, segundo publicado pela FinLedger, empresa focada em fintechs que cobre notícias, análises e perspectivas do setor.

Essa constatação vai ao encontro de uma outra pesquisa, no caso do The Ascent, serviço de análise de produtos financeiros, que entrevistou, em meados de 2020, dois mil norte-americanos sobre seus hábitos de comprar agora e pagar depois. Comparando essa pesquisa com outra realizada em março de 2021 os resultados mostram um crescimento de quase 50% em menos de um ano.

De acordo com esse estudo a razão mais comum para usar os serviços buy now, pay later é fazer compras que não cabem no orçamento – 45% dos entrevistados usaram por esse motivo.

Já na Europa, também se observa um rápido crescimento do serviço. Um bom exemplo é o que ocorre no Reino Unido. Cerca de quatro em cada 10 (37%) britânicos afirmam ter usado um serviço compre agora e pague depois e mais da metade (52%) dos usuários estão usando mais soluções buy now, pay later após o início da pandemia.

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Modelo “buy now, pay later” é mais popular entre os millennials

Os millenials, pessoas que nasceram entre os anos 1980 e 1994, lideram na adesão ao meio de pagamento buy now, pay later. Principalmente, aqueles com idade entre 32 e 41 anos, que tendem a ter mais poder de compra do que os mais jovens. É o que aponta um estudo da PYMNTS publicado no fim de 2020.

A publicação mostra que 11,5% desse público usaram o serviço, quase o dobro da média. Esse grupo também aumentou o uso do compre agora, pague depois: um aumento de 28% desde março do ano passado, mais do que o registrado por qualquer outra geração desde o início da pandemia. Nesse sentido, a empresa ouviu cerca de 15.000 consumidores dos Estados Unidos, entre março e setembro de 2020.

Ainda conforme a PYMNTS, os usuários do buy now, pay later consideram a solução de crediário digital como uma forma econômica de fazer compras. Quase 42% citam a clareza dos termos como uma das principais prioridades ao fazer compras on-line e 39,1% citam a capacidade de monitorar os gastos.

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