Economia sustentável:  FMI disponibiliza dados para formulação de políticas econômicas

Economia sustentável: FMI disponibiliza dados para formulação de políticas econômicas

Novo portal de dados permite comparar o desempenho dos países na economia sustentável.

Às vésperas da Cúpula do Clima, o Fundo Monetário Internacional (FMI) lançou um novo painel de dados sobre a mudança climática para apoiar a formulação de políticas para uma economia sustentável ao redor do mundo.

Na plataforma é possível conferir o desempenho das economias mundiais em relação à mitigação e adaptação às mudanças climáticas em quatro dimensões: atividade econômica, comércio internacional, riscos físicos e de transição e políticas governamentais.

Os indicadores abordam emissões de gases estufa, o mercado de finanças verdes, gastos públicos em proteção ambiental e políticas tributárias pró-transição energética.

“Para desenvolver as medidas certas para enfrentar as alterações climáticas, os governos precisam de dados robustos e comparáveis. O novo painel do FMI ajudará a preencher as lacunas de dados, para que os tomadores de decisões possam empreender a análise macroeconómica e financeira necessária para a eficácia das políticas”, disse a Diretora Executiva do FMI, Kristalina Georgieva, na ocasião de lançamento .

Transição energética: uma questão de política econômica

Todas as atividades econômicas consomem recursos naturais, direta ou indiretamente, e geram algum grau de poluição. O problema é que os níveis atuais de produção e consumo mundiais exigem do planeta mais recursos do que sua capacidade de regeneração. Em 2019, foi registrado o Dia da Sobrecarga da Terra em uma data recorde: 29 de julho.

O aquecimento global, associado à emissão de gases estufa, já causa perturbações em diferentes partes do globo por conta de situações extremas, como enchentes, furacões e secas.

Gráfico: Ocorrência de desastres naturais
Nas últimas décadas, o registro de desastres naturais cresceu da casa de 100 desastres registrados por ano em 1980 para 350 em 2020. Fonte: FMI, Climate Change Indicator Dashboard.

“Quem não acredita na mudança climática deveria visitar a América Central”, disse Dante Mossi, presidente do Banco Centro-Americano de Integração Econômica em um evento promovido pelo think tank OMFIF. “Nós emitimos pouquíssimos gases estufa, mas sofremos com a destruição causada pela mudança climática”, fazendo referência aos dois furacões que atingiram a região em um curto período de tempo em 2020.

Além dos problemas já observados no presente, do ponto de vista dos formuladores de política econômica, o esgotamento dos recursos naturais também tem um efeito negativo sobre o crescimento econômico a longo prazo. Será impossível manter a reprodução do sistema econômico que temos hoje se os recursos naturais fundamentais para as cadeias produtivas estiverem em falta.

Sustentabilidade e meio ambiente: o papel dos investimentos para a redução dos gases de efeito estufa

O consenso em torno dos efeitos prejudiciais da emissão de carbono levou 196 países a assinarem o Acordo de Paris em 2015. No Acordo, os signatários se comprometeram a reduzir a emissão de carbono para mitigar o aquecimento global. A meta definida pelo Brasil é atingir em 2025 um nível de emissão de gases estufa 37% menor que o nível registrado em 2005.

Gráfico: emissão de carbono (exceto uso da terra) x meta anual definida no Acordo de Paris
Fonte: FMI, Climate Change Indicators Dashboard.

O ponto central para atingir esse objetivo, além de reduzir o desmatamento, é realizar a transição do paradigma tecnológico para fontes renováveis de energia – como energia solar, eólica, hídrica e biomassa. Isto significa desenvolver e expandir as fontes de energia sustentáveis, mas também adaptar o nosso consumo e a tecnologia de produção em todos os setores que hoje são baseados em fontes não-renováveis e com alta emissão de CO2, como o carvão e derivados de petróleo.

Trata-se de uma transformação que não é nada simples e afeta indústrias inteiras. Por isso, a transição para um paradigma produtivo sustentável exige a definição de prioridades, metas e um grande volume de investimentos públicos e privados.

As Finanças Verdes e a economia sustentável

Respondendo ao desafio do financiamento da transição energética, tem crescido o interesse de investidores nas finanças verdes, ou finanças sustentáveis. O painel de dados do FMI traz alguns indicadores que medem essa evolução.

O gráfico abaixo mostra as emissões de green bonds (títulos verdes), destinados a financiar projetos ambientalmente sustentáveis.

Gráfico: Green bons - títulos emitidos por ano e destinação dos recursos
Em 2020, foram emitidos green bonds no valor de quase 300 bilhões de dólares. A maior parte se destina a projetos “verdes” certificados e de eficiência energética. Fonte: FMI, Climate Change Indicators Dashboard.

Outro indicador para medir o desempenho das finanças verdes calcula o carbon footprint do mercado de crédito em cada país. O índice CFALTL, do inglês Carbon footprint-adjusted loans to total loans for deposit takers, é uma estimativa para a quantidade de CO2 emitido pelas empresas financiadas pelas instituições financeiras no país. O cálculo se baseia na intensidade de carbono de cada setor da indústria.

Em 2015, para cada milhão de dólares emprestados no Brasil, o FMI estima que foram emitidas 208 toneladas de gás carbônico. Entre os 41 países analisados, o Brasil está na 13ª posição, entre o Canadá (218 ton) e o Peru (204 ton.). O gráfico abaixo mostra como a média de emissões por crédito concedido no mercado brasileiro piorou entre 2012 e 2015.

Intensidade de carbono dos empréstimos pelo total dos empréstimos no Brasil

Gráfico: Intensidade de carbono dos empréstimos pelo total dos empréstimos no Brasil
Fonte: FMI, Climate Change Indicators Dashboard.

 

O interesse do mercado de capitais pela economia sustentável é uma tendência positiva na busca pelo desenvolvimento ambientalmente sustentável. Ainda assim, o setor financeiro não solucionará sozinho o problema da mudança climática.

“A solução à crise climática sem a participação ativa do Estado é pouco provável, dada a escala dos investimentos necessários para alterar a estrutura das economias nacionais, e as incertezas que as mudanças no paradigma tecnológico impõem sobre os investimentos privados”, escrevem Márcio Alvarenga Jr. e Carlos Eduardo Young, economistas do Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

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